A Vitrine Literária Editora surgiu a partir do site homônimo, criado em 2005 para divulgar livros de autores independentes e pequenas editoras, com posts diários e contribuições de cronistas e escritores. Quanto mais conhecíamos do mercado editorial, mais tínhamos certeza de que era preciso buscar uma alternativa para novos autores. Em 2008 criamos a Vitrine Literária Editora, que está próxima dos 100 livros publicados.
O mercado editorial brasileiro pouco mudou nestes doze anos. As grandes editoras continuam fechadas para a maioria dos novos autores nacionais. E para se manterem contam com os livros didáticos e técnicos, além de artifícios sazonais como livros adultos para colorir (!!!) e as “obras edificantes” dos youtubers e digital influencers que pululam nas marés digitais.
Enquanto isso, livrarias tradicionais e imensas com a Saraiva e a Cultura, que concentravam quase 50% do mercado, praticamente faliram (muito por má gestão, frise-se), entraram em recuperação judicial e deixaram de pagar dezenas de editoras.
“É muito difícil, praticamente impossível, vender livro!” Esta afirmação sempre aparece em algum momento do nosso primeiro contato com autores que nos procuram. Exige-se muito esforço e disposição para buscar possíveis compradores.
A Vitrine Literária Editora está apta para trabalhar com qualquer tiragem de livros, de 50 unidades até um mil, cinco mil, o que for. Mas a gente aconselha cautela, sempre: menos é mais aqui também. Porque a publicação é apenas o primeiro dos “funis” pelos quais o livro tem que passar até chegar ao leitor. E existem pelo menos mais três: divulgação, distribuição e venda.
Então, por que publicar o seu livro? Porque um livro publicado ainda representa a realização de um dos maiores sonhos de quem ama literatura. Ali tem história, tem esforço, tem talento, sentimentos. Um livro sente-se, além do texto, pela textura da capa, do papel do miolo, pelo cheiro da tinta.
A relação com o livro é única: ele, quando nos conquista, nos leva em viagens das quais voltamos maiores. Vamos conversar mais sobre isso? Entre em contato: a gente tem tempo e disposição de sobra.
Parece óbvio, mas nem sempre é: e em vez de ponte, ele pode ser transformado em abismo entre o autor e os leitores.
Um livro, deve ser, antes de tudo, uma obra legível. E todos os profissionais envolvidos, do responsável pela preparação dos originais ao designer final, devem ter esse princípio em mente: qual o melhor caminho para colocarmos leitor e autor em um convívio prazeroso, com o mínimo de ruído neste diálogo?
O melhor livro nem sempre é o mais bonito, mas o que facilita ao máximo a transmissão de mensagem do autor para o leitor. Se conseguir conciliar beleza e clareza, ótimo. Mas se for apenas belo, será somente um objeto. E terá desperdiçado todo o esforço do autor.
"O trabalho real de um designer de livro não é fazer as coisas parecerem "legais", diferentes ou bonitinhas. É descobrir como colocar uma letra ao lado da outra de modo que as palavras do autor pareçam saltar da página."
Richard Hendel, artista gráfico, designer e editor, citado por Plínio Martins Filho, in "A arte invisível".
Capa de "Emily Dickinson: a visão irônica do mundo", de Carlos Daghlian, com desenho de Cândido Portinari, feito em Paris, em 1958, baseado na única foto "oficial" da poeta norte-americana (reprodução por cortesia do Prof. Dr. João Candido Portinari, filho do pintor e responsável pelo Projeto Portinari).