Minha mãe franciscana e o Papa Fancisco

Estou com uma faxineira nova em casa e ela logo me avisou:- Chego às sete e meia e saio às três horas. Não almoço no trabalho, nem lancho, nem nada.

Fiquei assustada com o fato de uma pessoa ficar tanto tempo sem se alimentar, logo eu que sinto uma fome infernal às 13 horas, e, caso não faça aquela refeição sou capaz de perder o juízo, nem conversar direito consigo.

Na segunda vez em que ela veio trabalhar perguntei com jeitinho: – Porque você não come no trabalho? E ela me respondeu: – Por que muitos não gostam e fazem questão desse acordo antes de acertarmos o trabalho.

Assustada, ok, cada um sabe de si, mas não gosto de viver comendo na rua – o que fiz milhares de vezes na vida – e perguntei mais tarde se ela sabia cozinhar: – O trivial. Não sei fazer nada sofisticado. Como gosto mesmo é do arroz com feijão e legumes, sugeri: – Dá pra você fazer qualquer coisa só para eu não ter que comer na rua? E ela aceitou.

Quando voltei pra casa estava ali uma comidinha feita em panelas de barro: arroz, feijão, brócolis, salada e uma carne deliciosa. Falei: – E agora, você aceita almoçar? A moça comeu. E me pareceu feliz por isso.

Aí eu não resisti e falei sobre a minha mãe: – Mamãe nos ensinou assim: ninguém consegue trabalhar com fome. E nós sempre alimentamos quem trabalha em nossa casa.

E agora, vendo o Papa Francisco falando maravilhas, devo dizer que sempre ouvi em minha casa, mamãe Noêmia ensinar sobre repartir nossas refeições e afeições.

Obrigada, mãe, jamais me esqueci disso.

E obrigada ao Santo Padre, o Papa, por ter dito sobre nós brasileiros: “Sei bem que quando alguém precisa comer e bate em suas portas, vocês sempre dão um jeito de compartilhar comida.”

“Tudo aquilo que se compartilha, se multiplica.”

“Como é bom ser bem acolhido, com amor, generosidade e alegria!”

“A verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração.”

“Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário!”

E, para finalizar, um recado do Santo Pontífice:“Queria lançar um apelo a todos que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: não se cansem de trabalhar para um mundo mais justo e solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo.”

 

Malluh Praxedes / 27/07/2013