Meus livros de cabeceira

Hoje, conversando com um amigo comentei que tenho em minha cabeceira uns seis ou sete livros que vou revezando conforme o meu estado de espírito. Ele riu e me explicou que quando começa a ler um livro vai até o fim: “Aqui no consultório, entre um cliente e outro vou devorando meu livro. E em casa tenho outro na cabeceira, mas que nunca tenho tempo para ler.”

Ele achou interessante minha maneira de escolher o que ler. Falei então dos meus preferidos atualmente: As Senhoritas de Amsterdã – Confissões das gêmeas prostitutas mais antigas da cidade (L&PM Editores); Ter e Não Ter de Ernest Hemingway (Bertrand Brasil); Toda Poesia de Paulo Leminski (Cia. das Letras); Crianças Francesas Não Fazem Manha: os segredos parisienses para educar os filhos de Pamela Druckerman (Fontanar) e na espera estão A Desumanização de Valter Hugo Mãe (CosacNaif) e O Réu e o Rei : minha história com Roberto Carlos, em detalhes de Paulo César de Araújo (Cia. das Letras).

As Senhoritas de Amsterdã me despertou interesse ao saber da história das irmãs gêmeas Martine e Louise Fokkens, que se prostituíram por mais de 50 anos. O livro chega a ser divertido por revelar a experiência com clientes de toda espécie que as visitavam nas vitrines do Bairro da Luz Vermelha. Essa história me interessou por ter conhecido em Amsterdã as ruas com suas vitrines em que mulheres ficam expostas em ambientes pequenos vistos através de um vidro enorme, como se fosse uma vitrine de uma loja. Do lado de cá, na rua mesmo, dezenas de homens – estrangeiros em sua maioria – ficavam ali apreciando cada uma delas em seu ambiente íntimo (às vezes parecia uma sala de visitas, noutra um lounge e ainda cama com lençóis de seda)… Enfim, as pessoas – eu, inclusive – mesmo impressionadas com aquele ‘comércio’ humano, não se incomodavam com aquelas cenas, como se fosse tudo muito natural e divertido… O livro retrata histórias contadas, individualmente pelas irmãs, uma delas retratando suas memórias dos anos 1966 e a outra, os seus últimos encontros, nos anos 2011.

Ter e Não Ter conta a história ‘da fauna humana – integrada por comandantes de iates de aluguel, pescadores profissionais e milionários diletantes adeptos da pesca oceânica, contrabandistas, imigrantes, clandestinos, bêbados e arruaceiros que frequentam botequins à beira do cais, prostitutas, revolucionários cubanos…” Bem escrito, instigante, esse não dá para parar de ler… só consigo ‘desligar-me’ do livro quando o sono me incomoda ao ponto das palavras se misturarem e mesmo assim me pego sonhando com personagens em alto mar…

Toda Poesia é um livro comemorativo dos 70 anos que o poeta curitibano faria se estivesse por aqui. O livro pode ser lido e degustado aos poucos, como pérolas. Nunca estará finalizado: na poesia sempre fica algo por sentir, principalmente por ele, Leminiski ter influenciado uma geração de poetas e letristas, como Arnaldo Antunes – sem querer comparar um com o outro, mas tem muito de um no outro…

Crianças Francesas Não Fazem Manha é genial. Uma avaliação de uma jornalista americana que foi viver na França com seu marido britânico ao se questionar ‘O que dizer das mães francesas, impecavelmente vestidas, penteadas e maquiadas? Elas não irradiam aquela famosa combinação de cansaço, preocupação e exasperação que emana da maior parte das mães. Quais são, afinal, os segredos delas? As mães francesas são realmente perfeitas e felizes?’… Livro para ser lido por mães, pais e afins. Muito bom mesmo.

Os outros dois livros, bom, quem sabe começarei a lê-los neste fim de semana?

Malluh Praxedes / 25 7 2014