Eu jamais vou me esquecer

A vida é assim: nos presenteia com famílias que não escolhemos e com amigos que passam a fazer parte de tudo. A gente começa a ter laços afetivos do nada, um sorriso daqui, um abraço dali, vamos formando a nossa roda, uma grande brincadeira de roda e assim vamos formando a nossa melhor maneira de compreender nossa função aqui na terra. Se fosse de outro jeito não teria graça, imagino.

Pois bem, recentemente perdi uma amiga. Nem era amiga do dia a dia, mas era um sorriso certo, uma palavra cheia de carinho e delicadeza constante. Simone, irmã do Márcio Panicali, filha do Sr. João e da D. Neném, mãe do Mateus, mulher do Henrique. Olha só, eu conhecia tudo dessa bela mulher. E o mais impressionante é que ela era transplantada, recebeu um rim e quando eu a conheci já sabia de sua história: a doadora foi a própria mãe. Fiquei de cara com a beleza dessas duas que passaram a fazer parte da minha vida, já pelo parentesco espontâneo: Márcio é casado com minha sobrinha Maristela e fui escolhida para ser sua madrinha de casamento.

Pois Simone nos deixou num domingo pela manhã, assim como foi com meu irmão Sylvio Roberto. Foi um domingo amargo, uma vontade enorme de ir me encontrar com o Márcio e sua mãe D. Neném. E fiquei ali na casa deles, vendo amigos e parentes chegando sem parar e pude dividir aquela dor que me engasgava a alma. Como a Simone vai fazer falta, eu pensava sem parar. E olhava pra mãe dela, a parte melhor de qualquer ser e pensava comigo ‘como é possível, meu Deus, uma mãe enterrar um filho?’

Mas eu via a serenidade naqueles olhos claros. Mulher que doa a vida, doou duas vezes: deu um rim para a filha doente. E teve o privilégio de ver a filha sobreviver bravamente, cheia de vida e otimismo, sem reclamar um dia sequer da dor que a doença lhe trazia. Simone jamais deixou de sorrir e de abrir os braços para os sobrinhos adorados e um deles seu afilhado querido: o Bernardo, que assim como a pequena Júlia chorou muito, muito a dor de uma perda.

Não foi fácil pra ninguém. 

Mas, os dias passam e vamos convivendo com a saudade que agora passa a ser uma companheira constante. Depois vem o conforto de saber que aquela pessoa querida parou de sofrer. E depois, um novo sentimento toma conta de nós: compreendemos a felicidade e o privilégio de ter convivido com pessoa tão especial.

Obrigada, pois, Simone, por ter sido essa pessoa que nos preencheu os dias com sua voz tão doce, tão meiga que nos fazia sorrir ao ouvir: – Oi, minha linda!

Com saudade eterna, te agradeço e digo: – Linda é você!

(Malluh Praxedes, 17 5 2013)