Dia do Escritor

Tenho um cunhado que é grego. Mora em Nova Iorque e desde que saiu da Grécia nunca mais voltou ao seu país de origem. Hoje é americano naturalizado e lá atrás, quando foi para os EUA carregou pai, mãe e dois irmãos. Quer dizer, uma família grega na América.

Nem sei bem a razão da narrativa acima. Mas vou tentar encontrar um ‘link’: minha irmã MJ mora em NYC desde 1988. Mas só fui conhecer a ‘Big Apple” e o meu cunhado em 1996. Quando ele quis saber a minha profissão minha irmã disse: – Escritora!

Steve teve um pequeno ‘pânico’. Disse pra ela: – Como é que pode uma escritora em nossa casa? O que vou conversar com ela? Isto é muito importante. Imagina!

Rimos muito da história. Ela me contando e eu ouvindo… Mas nada disso impediu que fôssemos um grego e uma brasileira conversando através do inglês da minha irmã…

E este texto ficou escrito assim, desde a última quarta-feira, Dia do Escritor e hoje já acabou de virar sexta-feira… Este papel me fez temer que se eu desligasse o computador a ‘emoção’ fosse embora.

Não voltei a ler o que estava escrito aqui. Fiz muitas outras coisas, como dar andamento no livro que estou coordenando.

Recolhi minhas anotações e provocações depois de uma conversa maravilhosa que tive com o meu vizinho, – o José Roberto Pereira: – Obrigada, viu?

Parei o mundo, pois eu queria muito definir o que de tão importante o meu cunhado vê no fato de ter uma cunhada escritora. Eu queria agradecer ao Steve e não encontrei palavras nem para dizer o quanto eu me sinto feliz por poder escrever…

E hoje, navegando pelo Facebook deparo-me com uma página da Livraria Quixote e descubro um mundo novo: ‘não sou aranha’. E meu querido Bartô deixou escrito o que muitos de nós escritores sonhamos: ‘uma declaração de amor à escrita’:

“Um papel sobre a mesa me espia com olhar branco. Não tenho nada a lhe dizer. Não sou aranha para apreciar o vazio. Cada vez que olho para o branco, mais ele me pergunta…” (Bartolomeu Campos de Queirós, em “O Fio da Palavra”)

Malluh Praxedes