Delicadeza, gentileza e planos

Quando se ganha um filho, qualquer mãe quer mostrar a sua cria. E espera que os amigos apareçam e que ‘compartilhem’ com todos os amigos, aquele momento único. Quando se lança um livro, a sensação é semelhante. Ok, você pode não gostar de ler poemas, pode não achar a menor graça em um romance, tampouco aprecie crônicas, contos, enfim, você pode não gostar de ler, por que não?

Mas, de repente um ‘novo filho’ foi parido depois de anos e anos remoendo dentro de sua alma. Sem calma, perdendo sono, noite após dias insones. A vida de um escritor é uma loucura. Os personagens caminham com a gente. Dormem na nossa cama, tomam banho debaixo do mesmo chuveiro e nem sempre deixam a gente comer em paz. Quem escreve sabe do que estou falando…

Tenho um livro novo pra lançar. Está em fase de finalização desde agosto de 2013. Aí entrei num projeto que me fez dar um tempo e deixá-lo esperando num canto do coração. Mas, cadê sossego? Nada me consola. Não quero sair de férias, não quero sair de casa, nem quero viajar. O ‘menino’ precisa nascer. Não tem festa que me faça sair pra passear. Estou naquela fase de ficar vigiando a vida, receosa se ser como na canção ‘o tempo passou na janela e só Carolina não viu’…

O ano começou e logo fui conversar com o editor e com o gerente da gráfica em que pretendo imprimir meu livro. Os custos me assustaram, mas devo dizer que gostei muito da delicadeza e gentileza dos profissionais que escolhi para finalizar o trabalho. O designer gráfico, meu amigo Tavinho Bretas, esse é um cara também gentil e paciente. Leva livro, me busca e discutimos e mudamos ilustrações, e tudo vai se resolvendo aos poucos. Só que ele precisou viajar: está cansado desde julho do ano passado.

Paulo Rezende, meu editor do site Vitrine Literária me propõe novos desafios. Não sou de recusar nada e topei. Ontem foi um dia assim: imprimi todos os textos que venho publicando desde 2005, tanto no Diário quanto no Vitrine. Devo fazer outro livro de crônicas também, já que o que fiz está esgotado: tenho apenas uns 20 exemplares.

Hoje, recebo a visita do José Roberto Pereira. Flores e boas novas: livro novo vem aí. Só coisa boa pra contar, pra dividir, pra gente rir junto. Meu Deus, quanta delicadeza, quanta gentileza! Dividir alegrias é a maior gentileza que um ser humano pode nos oferecer. Quem pode recusar oferta melhor? Passeamos, tomamos café – cá pra nós, capuccino: não gosto de café! – comemos bolo e ele não quis sorvete (que pena Zé: comprei um especialmente pra você!), mas tomamos um chopp delicioso e comemos animadamente, em meio a vozes que cantavam ‘parabéns pra você!’ com vela em cima de um bolo de algodão doce…

A Savassi estava quente àquela hora, mas mesmo assim éramos uma alegria só: nós e nossos planos.

Malluh Praxedes / 11 1 2014