UM GENOCÍDIO “QUASE” ESQUECIDO *

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(Para Jirair Karabachian, in memoriam)

Neste 24 de abril, os armênios do mundo inteiro relembram o centenário do “Genocídio Armênio”, data em que, em 1915, o governo turco decretou o massacre dos armênios, para tirá-los do seu território e ficar com os seus bens. Ou seja, os turcos queriam a Armênia sem os armênios, que havia séculos povoavam a parte da Turquia conhecida por Anatólia. A estimativa de várias fontes confiáveis é que cerca de um milhão e meio de armênios foram massacrados no período da primeira guerra mundial. Teve então início a grande diáspora do povo armênio. É difícil encontrar um país que não tenha algum armênio. No Brasil há milhares de famílias de descendentes de imigrantes armênios, que já chegam à terceira geração. Aqui em Rio Preto mesmo, temos algumas famílias.

Em seu romance Mrs. Dalloway (publicado em 1925 e traduzido para o português por Mário Quintana em 1972), pelo qual é mais lembrada, a consagrada romancista inglesa Virginia Woolf (1882-1941) conta a história de Clarissa Dalloway, a protagonista que, depois de ter sido uma ativista na juventude, casou-se com Richard, um político importante, tornando-se uma socialite e, como tal, sempre preocupada com festas, jantares e recepções. No adiantado da narrativa, num momento em que o marido estava de saída rumo ao parlamento, ela pergunta:

– Algum comitê? – perguntou, enquanto ele abria a porta.
– Os armênios – disse Richard. Ou seriam os albaneses?… .
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E as pessoas diriam: “Clarissa Dalloway é uma criatura estragada”. Importavam-lhe muito mais as rosas que os armênios. Escorraçados da vida, trôpegos, mortos de frio, vítimas da crueldade e da injustiça (tantas e tantas vezes ouvira Richard repeti-lo) – não, não podia fazer nada pelas albanesas… ou seriam os armênios? Mas amava as suas rosas (não podia isto aliviar os armênios?) – a única flor que suportava cortada… Confundia os armênios com os turcos; amava o sucesso; abominava o desconforto; tinha necessidade de ser estimada; dizia uma porção de tolices; e ainda agora, se lhe perguntassem onde ficava o Equador, não saberia responder.

Tive por bem destacar este trecho de uma obra de ficção, por se tratar de um relato feito por uma escritora sensível e respeitável, que viveu no período do massacre impetrado pelos turcos aos armênios (1915-1920) e que soube captar o espírito de indiferença vivido por sua sociedade e por grande parte dos países da Europa com relação ao que acontecia em lugares remotos do mundo. É verdade que os tempos eram outros, as notícias não eram divulgadas com a rapidez de hoje, mas havia informações dadas por diplomatas e missionários europeus e norte-americanos, que testemunharam as atrocidades. A conceituada revista National Geographic, por exemplo, publicou várias reportagens sobre o massacre de armênios, incluindo fotos autênticas.

A confusão de armênios com turcos sugerida na ficção teve e ainda tem correspondência com fatos da vida real: em muitas cidades brasileiras, os armênios, assim como os sírios e libaneses são ironicamente chamados de turcos; isto porque muitos desses imigrantes vieram ao Brasil com passaporte turco, visto que suas pátrias de origem ficavam dentro do império otomano. Lembro-me de que, quando eu e meus irmãos começamos a frequentar a escola e nos queixávamos disso em casa, meu pai simplesmente dizia; “não briguem, digam a seus colegas que estudem mais história e geografia”.

Nasci em Jaú, na região central de nosso estado, filho de um casal de armênios sobreviventes do genocídio. Meus pais, meus avós e os demais idosos da família evitavam falar com os mais jovens sobre a tragédia que viveram. Assim, só respondiam laconicamente as perguntas que lhes fazíamos. Mas, quando fui cursar o mestrado nos Estados Unidos, (1963-65), morei em Los Angeles com a família de tio Benjamim, dos sobreviventes, o irmão mais velho do meu pai; ele me contou fatos que até meu pai desconhecia.

Meus avós paternos, com duas filhas moças, dois filhos pré-adolescentes e o filho caçula, que tinha um ano e meio, foram repentinamente arrancados de suas propriedades e conduzidos por soldados turcos, juntamente com milhares de armênios indefesos, ao deserto de Deir-Ez-Zor, situado em território sírio. O menino caçula, de um ano e meio, foi colocado nas costas de tio Benjamim, que tinha treze anos. De meus avós, não tivemos mais notícias e, de meu avô, não temos sequer uma foto. De suas filhas, alguns sobreviventes que conseguiram fugir do deserto informaram que as viram sendo mortas a machadadas e lançadas nas águas do rio Eufrates. O filho caçula, chorando desesperadamente e pedindo água e comida, que ninguém podia lhe dar, acabou sendo abandonado no deserto, onde teve a sorte de quase todos os deportados que ali morreram. Os dois pré-adolescentes, exaustos, foram recolhidos por beduínos curdos que viviam às margens do Eufrates. Os curdos eram ambivalentes com relação aos armênios; neste caso foram acolhedores, mas em muitos outros, incentivados pelos turcos, que hoje os perseguem, saquearam as propriedades armênias.

O irmão mais velho da mãe de meu pai, tio Moisés, foi poupado porque então os turcos precisavam dele. Ele era farmacêutico e exercia as funções de médico da cidade e atendia, com a mesma dedicação, armênios e turcos. Tio Moisés conseguiu esconder meu pai dentro de casa por três anos. Nesse período meu pai só teve contato com a família imediata dentro de casa. Sempre que chegava alguém de fora, ele seguia as instruções do tio e se escondia no sótão ou no porão. Mas, certo dia, na hora do almoço, tio Moisés recebeu a visita de um policial turco, que gostava dele porque, na farmácia, ele cuidava com muita atenção de sua família, especialmente dos filhos pequenos. Então, dando prova de que num estado assassino ainda pode haver algum cidadão digno, o policial lhe disse: “Sr. Moisés, se eu fosse o senhor, fugiria desta cidade ainda hoje, porque amanhã os soldados virão buscar o senhor e a sua família, para deportá-los”. No final da tarde desse mesmo dia, quando começava a escurecer, a carroça com a mudança e os membros da família já estava a caminho da fronteira com a Síria, a uns sessenta quilômetros dali, onde chegaram no dia seguinte. Seguiram para a cidade de Alepo, onde muitos armênios, incluindo a família de minha mãe, já se encontravam e onde tio Moisés e a família ficaram por algum tempo, antes de ir para o Líbano. Em Beirute, meu pai foi colocado em um orfanato inglês.

Os dois irmãos de meu pai, que haviam sido levados pelos beduínos curdos, foram por eles adotados como filhos e, por uns anos, moraram em suas tendas e com eles trabalharam na terra. Os curdos tinham até arranjado casamento para os dois, mas eles só pensavam em reencontrar os familiares. Assim, certa noite, quando todos dormiam, eles deixaram a tenda e se colocaram no Rio Eufrates, cada um em um barquinho de pele de cabrito, que tinham feito às escondidas. Levados pela correnteza rio abaixo, foram parar em Bagdá. Da passagem por Bagdá, ficou-lhes a lembrança de terem visto Lawrence das Arábias, o notável oficial inglês que percorria países da Ásia na tentativa de libertar os árabes do jugo turco-otomano e que se tornou uma figura lendária da História e do Cinema. Quando passavam por uma praça, viram Lawrence cercado por uma multidão; ele carregava uma vara com um espelho retrovisor na ponta, para não ser surpreendido pelas costas, já que por muitos era considerado espião do Império Britânico.

Depois de trabalhar por algum tempo na escavação das ruínas de Nínive, finalmente, os dois conseguiram chegar a Beirute, onde esperavam ter notícias de armênios sobreviventes e, talvez, da própria família. Aos sábados, os meninos do orfanato tinham permissão para passear pela cidade. Foi numa dessas folgas que meu pai teve a surpresa de reencontrar os dois irmãos que, como ele, andavam pelas ruas de Beirute. Depois disso, todos os sobreviventes da família se reuniram e se organizaram para vir ao novo mundo.

Em 1920, tio Moisés, a mãe, a esposa e o primeiro filho, ainda de colo, acompanhados de tio Benjamim, emigraram para os Estados Unidos e se estabeleceram na Califórnia. A outra parte da família, comandada por tio Jacó, irmão de tio Moisés, depois de esperar por uma oportunidade, que não surgiu, para se juntar aos que já estavam nos Estados Unidos, acabaram vindo ao Brasil em 1926.

Em 1934, depois de namorar por correspondência, por dois anos, minha mãe veio ao Brasil para se casar com meu pai. Meus avós maternos (ela, a única de sua família que sobreviveu ao massacre) e o único irmão de minha mãe vieram de Alepo ao Brasil em 1949. Então a última parte da família que havia ficado para trás veio unir-se a nós.

Tio Moisés veio nos visitar em 1938, ano em que nasci, quando eu tinha seis meses de idade; temos uma foto dele comigo no colo. Meu pai e seus dois irmãos só se reencontraram de novo trinta e seis anos depois, em 1956, quando o irmão americano, já aposentado, veio ao Brasil com a mulher e a única filha, para nos visitar. E os três voltaram cinco anos depois, em 1961, quando me convidaram para estudar em Los Angeles.

Tio Benjamim faleceu de repente na noite do dia 24 de abril de 1965, um sábado, justamente no dia em que a numerosa comunidade armênia de Los Angeles, como as de todo o mundo, lembrava o genocídio ocorrido havia cinquenta anos. Nesse dia, eu e minha tia não ligamos o rádio nem a televisão, porque ele se mostrava muito tenso. Com certeza, ele se lembrava do irmão caçula que teve de abandonar no deserto. É claro que ele não teve culpa; se tentasse ajudar o irmão, o que não tinha como fazer, teria morrido ali também. Mas, como podem imaginar, não é fácil para um ser humano sensível conviver com uma lembrança dessas. Minha tia me contou que muitas vezes ele acordava à noite chamando pelo irmão. Na manhã do domingo, dia 25, levantei-me e fui até a cozinha, onde minha tia preparava o café. Estranhei a ausência do meu tio, ele que era sempre o primeiro a se levantar. Quando fui chamá-lo, ele estava gelado e com o semblante sereno. Minha tia, já preocupada, também foi ao quarto e, quando percebeu que ele estava morto, já chorando, disse: “ele encontrou o irmão”.

Há alguns anos, a imprensa internacional e a brasileira noticiaram a assinatura de um protocolo visando à abertura da fronteira entre a Armênia e a Turquia, que esta havia fechado unilateralmente em 1993. A abertura de tal fronteira é muito importante para a Armênia, hoje um país sem mar, mas a Turquia, que vem lutando para entrar na União Europeia, tem todo interesse nisso, pois nenhum membro da UE pode ter fronteira fechada com algum vizinho. Entretanto, a Turquia vem impondo condições que insinuam uma revisão da História, como se os turcos não tivessem praticado o genocídio. Só para citar duas fontes, o historiador inglês Arnold Toynbee, considerado um dos maiores do século XX, escreveu um livro muito bem documentado sobre a questão armênia e Robert Fisk, considerado o maior repórter de guerra do século XX, dedica ao assunto umas cinquenta páginas de seu livro fartamente documentado. Os dois escritores não deixam dúvidas quanto ao ocorrido. E há trabalhos sérios que mostram como Hitler se inspirou na experiência turca, para perpetrar o holocausto aos judeus.

Segundo Fisk, em agosto de 1939, Hitler fez, a seus generais, uma infame pergunta retórica para justificar a sua intenção de invadir a Polônia: “Quem ainda lembra, hoje, os crimes cometidos contra os armênios?”. Houve várias tentativas da Turquia de afirmar que Hitler nunca disse isso, mas foram encontradas cinco versões da pergunta, duas nos arquivos do alto comando alemão.

Documentos do governo turco da época do genocídio, que vazaram, deixam claro que a estratégia adotada pelos turcos era (1) planejar, (2) executar e (3) negar. A negação faz lembrar a conhecida fábula de Esopo sobre o lobo e o cordeiro, em que o algoz tenta se fazer de vítima. Haja vista a tentativa de justificar o massacre alegando que os armênios foram traidores, a favor dos russos. Ora, havia soldados armênios do lado russo, que detinha parte da Armênia, assim como havia milhares no lado turco, que foram desarmados e assassinados, sob pretexto de traição. Robert Fisk mostra que tal traição nunca existiu. Das grandes potências, a Rússia, apesar de ter abandonado os armênios algumas vezes, foi a que mais os protegeu, a ponto de garantir a existência da Armênia atual.

Embora o governo turco negue sistematicamente a ocorrência do genocídio armênio, alguns intelectuais turcos têm reagido contra tal atitude. Talvez o mais veemente seja Ohran Pamuk, o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2006. Como ele mesmo disse, apesar do fato ser de domínio público na Turquia, só ele teve a coragem de denunciar tal crime, assim como a mais recente matança de milhares de curdos. Tal denúncia, que lhe custou a ameaça de ser condenado por traição à pátria, só foi afastada com a atribuição do Prêmio Nobel. Como poderia o governo turco condenar um de seus mais brilhantes cidadãos, mundialmente reconhecido como o escritor mais importante do ano?

Mas em 2007, Hirant Dink, jornalista turco de origem armênia, que teve uma vida atribulada por insistir no reconhecimento do genocídio por parte do governo turco, foi assassinado por um jovem incitado por nacionalistas fanáticos quando saía das dependências do jornal que ele publicava em turco e armênio. O seu funeral foi acompanhado pelas ruas de Istambul por uma multidão de trinta mil pessoas que gritavam “somos armênios”.

Ao invés de se desculpar com os armênios, como fez o governo alemão com os judeus, vítimas do holocausto, o governo turco vem gastando uma fortuna para sustentar um lobby junto a vários governos. Entretanto, dezenas de países, além do Parlamento Europeu, já reconheceram o genocídio armênio.

Há alguns anos, Peter Balakian, intelectual americano de origem armênia, recusou o convite de uma universidade americana para falar sobre o genocídio armênio porque a autora do convite queria que ele discutisse a questão com um turco defensor da posição do seu governo. Nessa ocasião, a jornalista americana Ruth Rosberg, num artigo intitulado “O holocausto oculto”, escreveu que isso seria o mesmo que convidar um judeu para debater o holocausto dos judeus com um nazista. Ela lamenta que a mídia americana ainda acha que o genocídio armênio seja passível de debate e que muitos jornais americanos insistem que se deva dar o mesmo peso à posição da Turquia que nega ter praticado tal atrocidade, ignorando o sentimento de muitas famílias, como a minha, que viveram o problema.

Em junho de 1998, a Associação de Pesquisadores de Genocídios, por unanimidade, definiu o massacre dos armênios pelos turcos como o primeiro genocídio do século 20. Dois anos mais tarde, 126 pesquisadores do Holocausto, incluindo o ganhador do Prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, publicaram um abaixo-assinado considerando o genocídio armênio um fato incontestável.

Antes da primeira guerra, os americanos já sabiam o que se passava na Armênia. Em 1890, os reformadores americanos lançaram uma campanha pelos direitos humanos, para protestar contra os repetidos massacres do povo armênio. Em setembro de 1895, o New York Times deu destaque ao que chamou de “Outro Holocausto Armênio”, que, anos depois, Wniston Churchill admitiu que a Inglaterra poderia ter evitado. E, durante 1915, o mesmo jornal publicou 145 artigos sobre a matança em massa do povo armênio, informando tratar-se de um massacre organizado pelo governo. O presidente Wilson tentou ajudar os armênios, mas não teve o apoio do congresso. Em 1918, Theodore Roosevelt chamou-o de “o maior crime de guerra”.

O resto do mundo também sabia dos trágicos acontecimentos. Em 1915, os aliados cunharam a expressão “crimes contra a humanidade” para descrever o massacre dos armênios pelo governo otomano. E, quando o jurista polonês Rafael Lemkin criou o termo “genocídio” na década de 1940, ele afirmou que sua definição baseava-se no que o povo armênio havia sofrido. E, recentemente, o Papa Francisco referiu-se ao massacre como “o primeiro genocídio do século 20”.

Ao explicar o porquê de tanta dúvida dos americanos quanto ao genocídio armênio, Rosberg dá uma resposta curta e objetiva: petróleo e bases militares. Apesar das confissões pós-guerra dos militares otomanos e dos relatos de testemunhas oculares que deram provas contundentes do genocídio, o governo turco continuou e continua a fazer campanha na tentativa de apagar a memória histórica.

Há pouco tempo, referindo-se ao genocídio armênio, o rabino Matthew Berkowitz escreveu, no Jerusalem Post, que o governo turco tem feito uma campanha negacionista, por meio de ameaças de fechar bases militares, bullying político e despudorado assalto à verdade. E lamenta que os sucessivos governos dos Estados Unidos, dos dois partidos, tenham cedido às pressões para não cobrar a responsabilidade da Turquia pelo crime contra a humanidade.

Deborah Lipstadt, notável pesquisadora sobre a negação do Holocausto, chama essa amnésia intencional de “estágio final do genocídio”, porque pretende mudar a História, demonizando as vítimas e reabilitando os criminosos. Wiesel chama tal negação de “duplo assassinato”, pois mata a memória do crime. Hitler contava com o silêncio diante dos crimes, para fazer o que fez.

Em 28 de janeiro deste ano, Amal Clooney (esposa do ator americano George Clooney), advogada contratada pelo governo da Armênia, fez uma exposição brilhante no Tribunal dos Direitos Humanos de Estrasburgo intitulada “Por que a Turquia se recusa a falar sobre o genocídio armênio?” rebatendo o governo turco que defendeu Dogu Perinçek, líder de um partido turco que, em 2007, havia sido condenado pela Suíça por preconceito racial e por ter chamado o genocídio armênio de “mentira internacional”. Mas ele não ousou dizer que os massacres e as deportações não aconteceram. Por coincidência, Perinçek nasceu em 1942 na mesma cidade em que meus pais nasceram (Aintab, hoje Gaziantep; a mudança do nome foi mais uma tentativa da apagar a memória da presença armênia e cristã na região, pois o acréscimo homenageia o islamismo) e, com certeza, não ignora o que se passou com milhares de armênios dali. Sua condenação foi suspensa depois da intervenção turca junto à Corte Europeia de Direitos Humanos em 2013. Amal Clooney chamou de hipócrita a posição do governo turco, tendo em vista “o seu histórico vergonhoso no que diz respeito à liberdade de expressão”, que inclui a perseguição dos armênios da Turquia que lutam para que os massacres de 1915 sejam reconhecidos como genocídio.

A advogada afirmou que os juízes de Estrasburgo estão “simplesmente errados” por ter posto em dúvida a definição de genocídio para a “política deliberada de extermínio, os massacres e as deportações dos armênios pelos turcos há um século atrás”, bem como a realidade do sofrimento do povo armênio.

Faço este relato por considerar que a História se faz também por depoimentos, sejam eles feitos por pessoas que viveram os fatos ou deles ouviram sobre os mesmos, como foi o meu caso. Muitos livros foram escritos por sobreviventes do genocídio armênio, assim como do holocausto judeu. Por isso, alguns chegam a considerar a literatura produzida por sobreviventes como um “gênero” à parte. Seja como for, os depoimentos feitos por sobreviventes da primeira, segunda ou terceira geração servem para manter viva a memória e preservar a História, bem como a identidade de um povo.

Carlos Daghlian

• Trata-se de uma versão expandida do artigo publicado no Diário da Região, de São José do Rio Preto, SP, no dia 24 de abril.

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