Sobre A quarta palavra

| Por | EM

O jornal Diário da Região publicou hoje uma matéria, da repórter Graziela Delalibera, sobre  A quarta palavra, do Antonio Manoel dos Santos Silva.
O lançamento é hoje, 29 de maio, às 19 horas, na Casa de Cultura Dinorath do Valle, em São José do Rio Preto.
Leia a matéria abaixo (a fotos é so Sergio Isso). Se preferir no original, este é o link para o jornal.

Ensaios sobre o desamparo

Em seu sexto livro, o seu segundo de contos, Antonio Manoel dos Santos Silva explora os antagonismos humanos diante do abandono

Graziela Delalibera (graziela.delalibera@diariodaregiao.com.br)


Diante do sentimento de desamparo, o ser humano pode sucumbir a ele ou superá-lo por meio de ações. Essas reações opostas são retratadas por Antonio Manoel dos Santos Silva, 73 anos, em seu novo livro de contos, “A quarta palavra”, título que faz clara referência à quarta frase de Jesus Cristo na cruz (“Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”).
O livro, sexto do autor e seu segundo de contos, será lançado hoje, às 19 horas, na Casa de Cultura “Dinorath do Valle”. A obra traz oito histórias, divididas em duas partes. A primeira delas traz contos em torno do suicídio, tendo mulheres como protagonistas.
“O livro nasceu de algumas observações.Umadelas é das mulheres suicidas, principalmente poetas e artistas, uma coisa que sempre me preocupou – quase todas muito bonitas, com grande produção artística, algumas reconhecidas, outras começando. Resolvi trabalhar em cima da história dessas pessoas, de algumas coisas que deixaram escritas, e formulei personagens”, conta.
Todas as personagens criadas pelo autor são colocadas em situação de abandono, desamparo e solidão. Na segunda parte, as outras quatro histórias também trazem esses sentimentos, porém, a morte não aparece como desfecho, e dá lugar à superação.
A poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894-1930), a norte-americana Sylvia Plath (1932-1963), a brasileira Ana Cristina César (1952-1983) e a argentina Alfonsina Storni (1892-1938), além da compositora chilena Violeta Parra (1917-1967), são as quatro artistas que deram fim à própria vida cujas histórias dão elementos para a narrativa em contos da primeira parte do livro.
“Praticamente cada conto da segunda parte se opõe ao conjunto de contos da primeira parte do livro”, continua Antonio Manoel. A obra é ilustrada pela artista plástica Salete Mulin, de São Paulo, que produziu gravuras especialmente para o livro, as quais interferiram diretamente no projeto gráfico, levando ao uso de materiais que ressaltassem a integração das imagens da artista com o texto.
Lançado pela editora Vitrine Literária, a edição, primorosa, foi impressa e montada artesanalmente. As epígrafes (iniciais, e antes de cada “divisão” do livro), foram impressas ao contrário, em papel vegetal, no verso da página, interagindo com as ilustrações de Salete em segundo plano. A tiragem é numerada, de 150 exemplares.
“Minha preocupação é contar uma história, narrar uma história, não é fazer muita firula, experimentação. É prender o interesse do leitor do começo ao fim”, diz o escritor.
O primeiro livro de contos de Antonio Manoel, “A invasão de Mariana e outros relatos fantasiosos”, saiu sob o pseudônimo autoral de Antonio Silva Michilim Filho, homenagem ao seu pai, Antonio Silva (1905-1996), cujo apelido era Michilim. Nas palavras do autor, “um grande contador de histórias, ele mesmo personagem de várias narrativas e de acontecimentos reais”.
Formado pela Universida de Federal do Paraná, em 1965, Antonio Manoel é professor, tem doutorado em Letras e é livre-docente em Literatura Brasileira da Unesp, da qual foi pró reitor de Pós Graduação e Pesquisa, vice-reitor e reitor.
Aposentado desde 2002, ele continua a atuar na instituição como professor voluntário. Morando em São Paulo, vem a Rio Preto, onde residiu até 2006, em média uma vez por mês. Divide suas atividades entre a orientação de doutorandos, a produção de ensaios e críticas e a produção literária.

Trecho
“Saíra do quarto apenas para isso; buscar uma régua. Um esbarrão indolor na quina abaulada a mesa, e vira a peça translúcida. Agora a manuseia. Vem-lhe a tentação de despedaça-la. Desiste. Levanta a bailarina contra a luz vinda da lâmpada acesa. Só então descobre pequenas manchas marrons a tisnar as mãos, a cabeça diminuta e as pernas esguias em frágil equilíbrio. É necessário limpá-las com sabão em pó, primeiro, e, depois, com sabonete. Dirige-se à área de serviço onde encontra o sabão, que aplica sobre a esculturinha, esfregando-a. Quase deixa cair ao enxaguá-la. Volta do tanque e, passando pela sala, entra na sala de banhos da suíte. Abre a torneira dourada da pia, ensaboa a bailarina, enxágua-a novamente e perfuma-a. Agora pode jogá-la do nono andar.”
Trecho do conto “Acometimento”

Serviço
Lançamento do livro “A quarta palavra”, de Antonio Manoel dos Santos Silva. Editora Vitrine Literária.
Hoje, às 19h, na Casa de Cultura “Dinorath do Valle”.
Valor do livro: R$ 30

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