35 poemas ou um (Antonio Manoel dos Santos Silva)

| Por | EM

A obra

” (…)  compreende-se com mais desembaraço por que motivo Trinta e Cinco Poemas ou Um tem como subtítulo Novos Poemas da Negra: há, com efeito, um diálogo prazeroso de ler entre Antonio Manoel e o modernista Mário de Andrade, cujos Poemas da Negra (1929) destilam, igualmente, sensualismo de excelente extração. A homenagem de Antonio Manoel – pois esta é a expressão que se deve empregar e que o autor, por certo, não rechaçará – e o ludismo intertextual não cessam nessa criação de uma atmosfera sensual: existem entre os dois poetas, de mais a mais, vocábulos em comum, caso da presença pitoresca e colorida da palavra tetéu (poema XXX do livro de Antonio Manoel). E o que considerar de um processo de Mário de Andrade adotado por Antonio Manoel de empregar, nos poemas do livro, diferentes pronomes de tratamento para referir-se a uma mesma pessoa? Tal procedimento confere à obra de Antonio Manoel um quê do modernismo de 22, que, destarte, deve ser revisto – para não dizer reinterpretado – à luz da sensibilidade dos tempos que correm.
(…) convém frisar que é perfeitamente admissível ler as trinta e cinco composições de Antonio Manoel dos Santos Silva como se fossem um único e extenso poema e não como trinta e cinco poemas autônomos. Isso porque as peças poéticas guardam entre si visível solução de continuidade temática e estilística. Nessa ordem de raciocínio, não estranhará que a maior parte de seus leitores adote semelhante estratégia de abordagem do texto, cujo prefácio julgo dever encerrar por aqui.
Entretanto, antes do ponto final, gostaria de revelar que sou possuído de certa manifestação de desconforto ao “deixar” os Trinta e Cinco Poemas ou Um: (Novos Poemas da Negra): tudo porque tenho o sentimento de não haver alcançado traduzir, com justiça e com precisão, o quanto apreciei e o quanto aprecio, a vários respeitos, esses poemas, a maior parte dos quais merecedores, sem margem para dúvidas, de figurar em qualquer antologia do gênero. Como tenho consciência de que, ao fim e ao cabo, traduções são mesmo impossíveis, contento-me em participar aos leitores deste livro que admiro os trinta e cinco poemas com igual intensidade com que admiro seu autor. O que, creio, é muitíssima coisa.”

(Trechos do prefácio de João Adalberto Campato Jr.”

O autor

Antonio Manoel dos Santos Silva (1941), Licenciado em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Paraná (1965), começou a escrever poesia quando estava no Colégio, mas sua primeira publicação (dois poemas) só aconteceu, como que por descuido e por iniciativa de Guillermo de la Cruz Coronado, em 1969, em anexo da Revista Acadêmica Estudos Anglo-Hispânicos. É de 1995 sua obra Matéria – Correções, em performance com música de Edilson Vicente de Lima e Paulo Augusto Soares e com gravuras de Salete Mulin e Helena Freddi, realizada na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo; nesse mesmo ano poemas seus foram incluídos na antologia de poetas brasileiros e colombianos Para conocernos mejor/ Para conhecer-nos melhor. Em 1999, publica À espera dos bárbaros e outros poemas na antologia Bárbaros Diversos (Poemas). Em 2000 participa do livro-arte Cartografias Poéticas, com o livre¬to Calendários, cujos poemas dialogam com 12 obras de gravuristas brasileiros. Nesse mesmo ano publicou Tu (poemas), pela Editora Rio-Pretense. Em 2009, publicou, pela Vitrine Literária, A invasão de Mariana e outros relatos fantasiosos. Antonio Manoel é, desde 1967, professor de Literatura na UNESP. Atualmente reside em São Paulo, SP.

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